sexta-feira, 15 de maio de 2009

Dúvidas

Procurei a felicidade,
Encontrei-a no teu peito,
Nas tuas mãos, nos teus olhos,
Nesse sorriso que me fazia
Querer saltar para os teus braços.

Falava contigo horas a fio,
Sem nunca me cansar,
Tu ouvias-me até adormeceres de cansaço.
Aconchegava-te com os cobertores
E deitava-me a teu lado,
Tentando não te acordar.

Desejava dormir junto a ti,
Todas as noites.
Chegar a casa
E fazermos juntos o jantar.
Preparar-te o pequeno almoço.

Por vezes também me deixavas triste,
Reagias como se eu fosse uma estranha,
Apenas uma sombra,
Que não merecia uma palavra tua.
Era miserável.

Apenas queria a tua atenção...
Não queria que fosses.
Queria ir contigo se fosse preciso.
Queria-te apenas,
Queria-te.

Deixavas-me muitas vezes devastada
Sentia-me inútil,
Que simplesmente não sentiamos o mesmo,
Na mesma medida.
Será que toda a luta contra o mundo,
Valeria todo o sofrimento?
Será que no fim ficariamos mesmo juntos?
Ou estariamos a adiar o inadiável?

Silêncio...Só silêncio...
Deveriamos mesmo ficar juntos?
Provavelmente não.
O amor, o que é o amor?
Algo que foge, que morre,
Será que o teu morreu?
Ou ainda o verei morrer?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Manhãs

O despertador toca,
O sol entra pela janela,
Por mim ficava deitada todo o dia.
Estou cansada.

Com uma mensagem
Dás-me os bons dias.
Apetece-me dizer-te
"Vem ter comigo,
Vamos ficar abraçados todo o dia,
Esquecer as responsabilidades,
Estarmos apenas juntos".
Impossível.

Levanto-me tristonha,
Dizes-me que não te espere,
Como sempre corres contra o tempo.
Vou demorar-me mais um pouco,
Para ver se te encontro ao virar da esquina.
Assim não te espero,
Apenas nos cruzamos,
Por acaso, pura coincidência.
É o furor dos amantes.

Por vezes
Sentia que não nos iriamos encontrar,
No entanto, lá ia,
Atrasada, com um sorriso,
Com o coração aos pulos.

Tu,
Eras tu!
E eu dava saltinhos de alegria,
Sem tu veres.

Davas-me a mão,
Os olhos brilhavam,
Tanto, tanto...
E ai desejava
Que o caminho até à escola
Demorasse uma eternidade
Pois eu sei,
Que não me cansaria de caminhar.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Cores..

Os teus olhos prendiam os meus
A tua pele colava-se à minha,
Preto, branco,
Branco, preto,
Duas cores misturavam-se
Até não ser possível distingui-las.

E eu tremia,
Com receio,
Falavas-me baixinho, ao ouvido,
O meu corpo acalmava,
Ficava rendido a ti.

Depois, voltávamos ao que éramos
Voltava a existir o preto,
E o branco.
Não nos importávamos.

O mundo lutava para que
Duas cores opostas não se juntassem.
Insistíamos em misturar-nos
Porque já não podíamos
Voltar atrás.

E o nosso mundo ficava cinzento,
E quando nos olhávamos,
Quando sentiamos o amor do outro,
Aí pintávamos o cinzento de amarelo,
Laranja,
Vermelho.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Tempo que foi

Brincámos muito
Riamos um do outro.
Abraços
Misturavam-se
No calor dos nossos dias.

Um dia deixámos de rir
O abraço foi diferente,
O olhar foi diferente,
Beijámo-nos.

Não esperava,
Fiquei sem jeito.
Escondia-me,
Sentia vergonha
Medo pela nossa amizade.

Não sabia explicar
Porque acontecera
Aquele beijo
Tao intenso
Que insistia
Em não me sair da mente.

Nao te queria.
Será que não queria?
Será que não te quis sempre?

Beijos repetidos
A razão tinha desaparecido,
Fomos embalados
Nesta paixão repentina
De querer sempre mais
Do que sempre tivémos.

E voltámos a rir
Riamos ainda com mais vontade,
Mas também chorávamos
Só assim sabiamos que nos amávamos.

sábado, 21 de março de 2009

Desilusões

Vi-te ao longe.
Reparei em ti porque me olhavas.
Sorri-te envergonhada,
Tu com a cara alegre aproximas-te.
Já nos tinhamos cruzado antes.

As nossas vozes abraçaram-se.
Tocaste-me na perna,
E eu tive medo.

Deslumbravas-me.
Da tua boca saiam bonitas frases,
Apenas dignas dos poetas.

Perdi-me na ilusão de te ter,
Por uns momentos era feliz.
Acordava de repente
e via que nada sentias por mim.

Não gostava de ti,
Era algo que não poderia explicar,
Mas ambos sentia-mos
A atracção
Que constantemente nos juntava.

Um dia, por brincadeira,
Beijaste-me,
Pensei que me desejavas.
Ainda estava maravilhada
Com esse gesto tão especial,
quando olhei para o lado
Roubavas beijos a outro alguém.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Tempos passados

Procurei a felicidade
Numa ilusão que não se desvanecia,
Mas a tristeza insistia em correr a meu lado.
Eu persistia a minha busca
Numa esperança sem termo,
Sempre que me levantava
Voltava a tropeçar e caia.
Perguntavam-me: “Magoaste-te?”
“Não”, respondia.
Por baixo dos jeans um fio de sangue
Insistia em gotejar
Fazendo uma cicatriz
Para não esquecer de olhar o chão.
A dor? Essa não cessava.
Mas eu sorria.
E continuava sempre a sorrir.